Pág 93 – LP – Polinômios irredutíveis – MARTINS

Deve -se resolver primeiro a multiplicação ou divisão. Deve-se manter a ordem dos elementos, por exemplo, se vier multiplicação primeiro e depois divisão, você deve resolver primeiro a multiplicação, e vice-versa. E depois de resolver todas as divisões e multiplicações, você resolve as adições e subtrações. Exemplo 1: 637+3 = …

Aprender de forma errada, acarreta uma série de consequências desastrosas, no tocante a como o estudante absorve teorias matemáticas. É nessa fase que surge a frase Porque odeio Matemática?.
Como professor de Matemática me sinto no dever de compartilhar algumas dicas, destacadas nas 6 situações a seguir.

Situação 1 – Frações

Esta situação tão comum, referida no começo do artigo é um bom exemplo para iniciar. O estudo de frações por si só, já é um desafio para professores nos anos iniciais, se algo for explicado de forma equivocada, isso acumulará erros em demais conteúdos. Parece bobagem, mas situações como estas acontecem em qualquer nível de ensino.

Antes de chegar a esse nível o aluno deve dominar: a nomenclatura para frações, reconhecer numerador e denominador, escrever frações equivalentes e operar frações.

Simplificar uma fração cujo numerador e denominador tem zeros, não se resume em apenas “cortar” os zeros como num passe de mágica. Assim o aluno adquire um péssimo hábito que levará para outros conteúdos.

Ao simplificar frações deste tipo, deve ser mostrado seja de forma teórica e/ou prática, que a cada zero “cortado” corresponde a uma divisão por 10, tanto no numerador quanto no denominador. Se eliminar dois zeros, corresponde a uma divisão por 100 e assim por diante.

Parece bobagem, mas é importante atentar para esses pequenos detalhes.

Situação 2 – Equações

Este conteúdo é o terror de muitos alunos. Tenho certeza que todo professor de Matemática já sofreu com perguntas do tipo: Por que muda o sinal de um membro para outro? Isola x? Por que x não pode ser negativo?
Resolver uma equação do 1º ou 2º grau por exemplo, não é jogar letras e números para um lado e para o outro, sem sentido algum. Matemática deve ser rigorosa e ensinada de forma correta.

Situação 3 – Radiciação e Potenciação

Lembra daquele clássico erro usando \sqrt{2}? Ainda acontece muito, quando professores tentam calcular (\sqrt{2})². Eles “cortam” o índice do radical com o expoente 2 e pronto, o número “saiu” do radicando, mas na verdade é uma operação com expoentes. Assim: (\sqrt{2})²=2.
Aparentemente esta expressão não mostra erro, quando simplifica-se o índice do radical com expoente 2. Mas, e se trocássemos o radicando 2 por 2?. Pela lógica do “cortar”, ficaria assim: (\sqrt{-2})²=2. Matematicamente, isso é um absurdo.
Uma simples revisão sobre as propriedades da radiciação e potenciação poderia resolver o problema, acabando com esse tipo de erro.
Errado: (\sqrt{2})²=2
Correto: (\sqrt{2})^{2}=(2^{\frac{1}{2}})^{2}=2^{2 \times \frac{1}{2}}=2^{\frac {2}{2}}=2^{1}=2

Situação 4 – Divisão de frações algébricas

Equívocos muito comuns acontecem quando operamos frações algébricas. O erro mais comum é na divisão. Observe os exemplos:

1) \quad \frac{x^{2}-4}{x-2} \quad e \quad (2) \quad \frac{(x-2)\times (x+2)}{x-2}
Qual das duas frações algébricas é possível simplificar? As duas? Claro que sim. Mas, somente se a fração (1) estiver na forma de um  produto. Quanto a fração (2), ela está fatorada, portanto podemos simplificar o fator (x2) do numerador com o denominador (x2).
Simplificar a fração (1) dividindo x2 por x, e 4 por 2 é totalmente errado do ponto de vista rigoroso da Matemática.
Simplificar frações algébricas facilita em muito quando se estuda equações algébricas. Quanto mais simples for a fração algébrica, menos cálculos serão necessários e ainda evita erros.
Revisar sempre as propriedades algébricas com frações, prevenirá que aconteça erros simples, mas que causam muito prejuízo, principalmente para estudantes de nível fundamental, que não estão acostumados com operações fracionárias.
Dominar algumas propriedades algébricas é imprescindível para um bom aprendizado.
  • Fator comum em evidência
  • Agrupamento e fator comum em evidência
  • Trinômio quadrado perfeito
  • Quadrado da soma de dois termos
  • Quadrado da diferença de dois termo
  • Produto da soma pela diferença de dois termos
  • Diferença de dois quadrados

Situação 5 – Logaritmo

Essa nem vou explicar. Mas ainda fico na dúvida se algum professor já ensinou assim. É um erro muito grotesco. Veja o exemplo.

log(4x1)=log(4)4x1=4

Parece que a palavra “cortar” virou moda em cursinhos. Matematicamente, é incorreto eliminar o log em ambos os membros. Logaritmo não é apenas um símbolo, é um número.

Situação 6 – Trigonometria

O mesmo tipo de “simplificação” é visto em:\frac{sen(2x)}{sen(x)}


(2x) e (x) são dois arcos trigonométricos distintos. “Cortar” sen(x),  obtendo como resultado 2, é um erro grave para um professor. Neste caso, não culpo alunos, já que eles aprenderam a fazer isso em alguma aula (ou não).

Essas duas últimas situações já viraram pérolas em sites de humor. É triste.

Sabemos que todos somos sujeitos a erros, seja em Matemática, Português (tem algum erro aqui? rsrs!) e em outras áreas. Infelizmente tais erros são creditados a falta de estudo e sabemos que não é apenas esse o motivo. Falta de atenção é o maior inimigo.

Falta de leitura é o suficiente para acarretar um montante de erros, que, futuramente trará sérios prejuízos a vida escolar de um estudante. Estar preparado é o segredo para enfrentar as dificuldades propostas em sala de aula.

Professor, que outros erros são comuns na sua aula?

Atualização: Será que isso aconteceu mesmo?

Este artigo contou com a colaboração de Angélica Alves (@Angel_Matematik).